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Construtores de Almas

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Professor e escritor de romances, textos teatrais, canções e promotor de silêncios profissional, atuando na área há séculos e aprendendo cada vez mais, pois as gerações invariavelmente se destacam por suas imperfeições, mas, nas entrelinhas há flores, que desabrocham, perfumam e morrem com a mesma velocidade com que a luz das estrelas chegam até aqui.

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Efuturo: Selo Escritor
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Assombrando castelos na escuridão do pensamento

 

Havia uma guerra entre eles. Troca de ironias e cinismo explícito, acusações veladas, reclamações descaradas e minutos de fúria incontrolável através dos olhares fuzilantes e eletricidade através do ar.

Não eram desrespeitosos um com o outro porque não eram inimigos, eram apenas ciumentos. E teimosos e implicantes. Jamais incompatíveis. De vez em quando eram flagrados sorrindo livremente, e quem soubesse ler com competência descobririam em seus olhares conexão.

Eles não fingiam um com o outro, eram ciumentos e difíceis em seus temperamentos, mas um cuidava do outro, um defendia o outro ferozmente sempre que necessário.

Não ficavam juntos o tempo todo, mas estavam sempre juntos porque pensamentos preenchem espaços, e o ar ganhava densidade por conta do perfume que eles exalavam, do desejo que compartilhavam e da força do que não era dito porque não precisava ser dito.

Quando debatiam sobre as palavras desnecessárias que diziam e magoavam um ao outro, começando a batalha irreversível e cansativa, já sabiam que o término se daria na cama, nos braços um do outro, e depois, saciados, sorriam aquele sorriso secreto de criança que tem o brinquedo certo  e ninguém mais o terá.

A guerra entre eles virou lenda porque era impossível terminar, ambos sabiam. E também sabiam que jamais haveria vencedor, e a possibilidade de empate era inaceitável, portanto, guerra imortal. A definição de eternidade para eles era amar um ao outro sem concordar, eram ciumentos. Ela feroz, ele irônico. Ela fugia, ela  a trazia de volta ao tema, ela, impulsiva, provocava e sofria reprimendas. Então se tocavam, o que levava aos beijos, e em seguida o inevitável: amor de reconciliação. Muito curta, porque logo algo os corroeria por dentro e por fora. Uma separação rotineira, um tchau antes da hora que virava um drama, um adeus para sempre, até que o celular os reconectasse velozmente, ou não dormiriam. Cada um em seu quarto à distância arrastariam correntes, assombrariam castelos medievais habitantes de suas mentes, dolorosamente querendo afastá-los, mas funcionando de maneira oposta, atraindo um ao outro para muito mais perto. Dentro. Eternamente.

 

                                                                Marcelo Gomes Melo

 

 

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                           "Ontem uma flor sorriu para mim. Coisa linda esse meu jardim!"