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Construtores de Almas

                                      Discere, contribute,docere non: saluto sine donis!

 

Professor e escritor de romances, textos teatrais, canções e promotor de silêncios profissional, atuando na área há séculos e aprendendo cada vez mais, pois as gerações invariavelmente se destacam por suas imperfeições, mas, nas entrelinhas há flores, que desabrocham, perfumam e morrem com a mesma velocidade com que a luz das estrelas chegam até aqui.

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O dever de impedir que a solidão atinja a alma

 

Os dias parecem iguais através da janela, mesmo que sejam cinzentos, ensolarados, escuros, chuvosos ou secos. Daqui do claustro o recorte visual apenas retrata o silêncio e o vazio de transeuntes. A solidão está lá fora, claramente, agindo como uma arma para ajudar a conter um inimigo invisível; porém, ela ultrapassa os muros, as portas e as janelas, infiltrando-se em cada um aqui dentro, direto no coração, espalhando-se rapidamente pelo corpo.

Os dias passam lentos e no claustro procuramos formas de impedir que a solidão atinja a alma, e não tenha volta. O limite da solidão como arma é o corpo, a alma não deve ser atingida jamais, e cercada por flores, perfumes, carinhos metafóricos, será a armadura intransponível que nos manterão seguros psicologicamente.

Há um mundo inteiro dentro de casa, que vai além das informações midiáticas; estão na literatura escrita, física, que lhe informa historicamente e transporta para locais impossíveis de atingir que não sejam mentalmente, o que é exercício para a manutenção da saúde intelectual, que ataca e supera qualquer tipo de problema em tempos cruéis.

É dessa maneira que o inimigo invisível será conhecido, combatido e eliminado, evitando que outras doenças pré-existentes contribuam para agravar situações e aumentem as estatísticas negativas permanentemente.

A vida se mostra ainda mais preciosa nesses momentos, e à distância, palavras, sorrisos e brincadeiras equivalem a toques, contatos com os quais estamos acostumados e são imprescindíveis para pessoas como nós, alimentados física e espiritualmente pelas demonstrações de afeto, diferentemente de outros povos, fazendo com que a solidão necessária magoe mais. O sofrimento de uma população como a nossa é constante, por diversos motivos, e isso nos fortalece e une durante catástrofes, incutindo empatia e tolerância onde normalmente não há, e o desejo de colaborar para diminuir os problemas aumenta e acaba por se mostrar extremamente eficaz em qualquer batalha.

A vida que se enxerga recortada através da janela pode ser auspiciosa, bonita e saudável, uma percentagem do quadro inteiro, o qual em breve percorreremos livres como sempre, resguardados todos os cuidados, para a continuidade de uma existência normal e feliz dentro de uma expectativa que faz parte do ser humano desde o início dos seus dias.

 

                                                               Marcelo Gomes Melo

 

 

 

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                           "Ontem uma flor sorriu para mim. Coisa linda esse meu jardim!"