gap_horizontal.png

Construtores de Almas

                                      Discere, contribute,docere non: saluto sine donis!

 

freira3.jpg

    Homem completamente aterrorizado por uma mulher!

         

Adormeci embriagado na sua cama e acordei com uma dor excruciante. Foi então que eu percebi que você havia me dado um verdadeiro trato, menina boazinha. Morena boazuda, como diria o meu velho.

Como eu soube?! As queimaduras com pontas de cigarro no tórax. Os talhos com a gilete cega que desciam profundos até a coxa, no lugar em que você a deixou enterrada.

O martelo ensanguentado largado na ponta da cama indicava como você destruíra as pontas dos meus dedos, das mãos e dos pés; o alicate no chão ainda continha uma das unhas arrancadas pela raiz.

Juro que só percebi que estava enxergando com dificuldade quando a minha face se encontrou com o espelho do guarda-roupa. Aquela figura apavorante com um olho só, cabelos ensanguentados, a boca mole sem dentes era eu!

Quando tentei gritar o seu nome notei que já não era possível. A boca inchada atrapalhava. Metade da língua sobre o criado-mudo também.

Eu só cheguei tarde porque bebi um pouco a mais! E só bebi um pouco a mais porque estava feliz. Eu estava feliz por causa do aumento anunciado pelo meu chefe no final do expediente.

Aliás, foi ele, o próprio quem convidou para comemorarmos rapidinho, apenas uma ou duas cervejas. Eu liguei, enviei mensagem para o seu celular tentando avisar, mas não obtive resposta. Sem bateria, quem sabe...

Você é boazuda, sim, mas boazinha jamais! Ciumenta à máxima potência, os seus pais me alertavam, sem que eu os levasse a sério. Hoje eu sei. Da pior maneira.

 Estirado daquele jeito, sem travesseiro, senti que estava engasgando com o meu próprio sangue! Tentei berrar, em vão; espernear, sem chance, erguer o corpo, sem nenhuma condição. Era a morte mais consciente e inevitável que um ser humano jamais imaginara!

O esforço para abrir os olhos foi o que me fez dar de cara com o seu rosto angelical ali, sobre mim, sorridente, segurando uma bandeja com o café da manhã.

O quê?! Olhos! Plural. Os dois?! A mente aos poucos foi assimilando a realidade, saindo do profundo colapso e me permitindo raciocinar. Sonho! Sonho não, pesadelo! Eu estava intacto, ainda, e iria comer um pãozinho na chapa, pelo amor de Deus!

Suando em bicas eu me benzi, beijei a boazuda boazinha e passei a me considerar um monstro. Eu estava com toda certeza aprontando algo errado. Sairia daquela cama e iria imediatamente para uma igreja pedir perdão. Depois do café.

                 Marcelo Gomes Melo

 

 

mini.jpg

                        A maravilha feminina que enfeita a vida

 

         Domina o meu pensamento a forma como todo aquele conteúdo cabe dentro daquela minissaia! Uma fórmula matemática há que existir que defina a razão para que ela caiba perfeitamente dentro daquele pedaço mínimo de pano sem ser vulgar ou desperdício do que esconder, porque nada se consegue ver que não o seja através dos olhos da mente.

          Como ela se movimenta tão fácil, se preocupa tão pouco e consegue manter a elegância intacta, inquietando meninos e intrigando homens?

          Nada se vê além do que ela queira mostrar. É algum treino ser bonita e refletir a tudo de maneira natural, afastando-se inteiramente do bizarro que visa vender belezas produzidas em linhas de montagem.

          O fato é que ela consegue gerar sensualidade intuitiva e causar pensamentos excitantes sem o desprezo demonstrado ao que é sem propósito, cujo sensacionalismo que gere dinheiro é só o que importa. O desprezo pelo que é Belo em evidência, tentando incutir em cada cérebro a beleza que os interessa.

          Nada disso será possível, felizmente. Os seres humanos utilizam todos os sentidos para reconhecer a verdadeira beleza. Ela é a principal representante dessas sensações. E eu, o maior de seus súditos nessa intrincada tarefa que é desvendar as maravilhas femininas que enfeitam a vida.

                                                                Marcelo Gomes Melo

 

                       Escritos ignotos para tempos inquietos

Os escritos ignotos fundamentam-se no caos instalado na sociedade do terceiro milênio, inquieta, autodestrutiva, apática e inovadora, tudo ao mesmo tempo. Retrata a dificuldade em lidar com a alta tecnologia e conviver com a mudança física e mental que acomete aos seres humanos, carentes de limites e aparentemente incapazes de lidar com as próprias limitações. Paradoxos ambulantes tentando sobreviver com o mínimo de ferimentos possível.

                                                                                                      Clique sobre o livro